Como os jogos educativos ajudam na estimulação da linguagem na infância

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Os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento pleno das potencialidades de toda a criança. No primeiro ano de vida, por exemplo, o cérebro passa por inúmeros processos de amadurecimento que irão repercutir em seu desenvolvimento. Entender cada fase e estimular a linguagem na infância das mais diversas formas, dentre elas com jogos educativos, é fundamental para um desenvolvimento pleno.

Veja, no artigo de hoje, a importância da estimulação  de linguagem nas diferentes fases da infância.

 

Desenvolvimento da linguagem

Especialistas afirmam que, antes mesmo de começar a falar efetivamente, a criança já apresenta maneiras de se comunicar. Rescorla L., Mirak J.(1997) e Carolina R.et al, (2004) destacam que a criança, desde que nasce, está habilitada a usar o olhar, a expressão facial e o gesto para comunicar-se com os outros.

Por isso é tão importante que pais e cuidadores estabeleçam os vínculos afetivos e comunicativos com a criança, enfatizando o tom de voz e as expressões faciais. Quando a voz, as palavras e as expressões faciais do adulto comunicam conjuntamente a mesma mensagem, o significado compreendido pela criança é mais consistente.

Brincadeiras aparentemente simples como as de Esconder/Achar ou de Cheirar o chulé, podem ser ricas para estimular o reconhecimento de expressões faciais, do tom de voz e dos significados das palavras. Essas brincadeiras possibilitam ao adulto utilizar diferentes expressões e tons de voz – por exemplo, para demonstrar alegria, tristeza, seriedade, braveza, etc. A criança, aos poucos, associará as palavras utilizadas na situação à voz de alegre, por exemplo, com as expressões faciais e corporais desse sentimento.

As fases do desenvolvimento

O desenvolvimento de linguagem é um processo contínuo e deve ser estimulado pelos pais e pessoas que convivem com a criança, até que ela possa estar em contato com pessoas da idade dela. É importante que este estímulo seja feito com constância durante os três primeiros anos da criança, já que, até esta idade, acontece o amadurecimento do maior número de conexões das vias neurais.

Conhecer o que é esperado para cada faixa de idade ajuda os pais e cuidadores a selecionar as brincadeiras que podem colaborar para o desenvolvimento da fala e da linguagem.

Desde a gestação, o bebê já interage com o mundo externo e isso é percebido de diversas formas, dentre elas no choro, movimentos motores e oculares.

Até os três meses, a criança deve apresentar gritinhos, evoluindo para vocalizações do tipo uuuuuu. Entre os seis e os nove meses, começa a fase do balbucio. Ela começa a falar mamamama, papapapa. No entanto, é importante lembrar de que nessa fase a criança já compreende bem mais do que é capaz de expressar e que é fundamental conversar com ela enquanto se mostra objetos e as situações concretas do seu cotidiano. Falar o que está sendo visto pela criança é uma excelente estimulação: “Vamos tomar banho! Que água gostosa. Agora a mamãe vai fechar a torneira e a água vai parar de cair”, por exemplo.

Aos 2 anos, já é capaz de manter conversação com frases simples, juntando dois ou três vocábulos e compreende cerca de 2.000 palavras. Os três anos é a fase dos “porquês”, a linguagem oral apresenta estruturação frasal adequada e o uso de inflexões e as imitações tornam-se uma diversão.

Nessa fase os pais podem estimulá-las, conversando bastante com a criança, incentivando-a a falar e demonstrando atenção ao ouvi-la. Isso ajudará a desenvolver sua capacidade de diálogo. Cantar também é uma boa iniciativa para aumentar o vocabulário e dar mais segurança na comunicação oral. Quando os pais cantam a música em velocidade mais lenta, ajudam a criança a acompanhar as palavras com o ritmo, afinal, nesta fase a velocidade de fala ainda não acompanha a velocidade do pensamento da criança.

Entre 4 e 5 anos de idade, as brincadeiras vocais, o canto, o ritmo e a fala transformam-se em parte integrante do comportamento da criança. Ela já tem bom domínio da linguagem oral, que deve seguir sendo estimulada por jogos educativos, essenciais nesta fase de desenvolvimento.

Jogos de tabuleiro, por exemplo, podem ajudar a criança a entender o significado de regras e a lidar com a competição, além de aprimorar sua capacidade de atenção e de manter o foco em uma atividade.

Estimulo linguístico

Para que esses processos de aprendizado ocorram adequadamente, é necessário um estímulo recorrente.

É interessante observar como as crianças gostam de repetir as mesmas brincadeiras, assistir aos mesmos filmes e desenhos, cantar as mesmas músicas, ouvir as mesmas histórias infantis. Esse comportamento nos mostra não só a necessidade do cérebro infantil de criar e manter rotinas, mas também a importância da repetição dos estímulos para a formação dos engramas (ou memórias) cerebrais. E, assim como acontece com os adultos, cada vez que a criança assiste a um mesmo filme, poderá colher informações que antes não havia percebido.

A principal maneira de estimular uma criança é por meio da interatividade. Conversar, cantar, brincar, desenvolver atividades que façam com que as áreas do lobo frontal associadas à linguagem, ao movimento, à cognição social, à autorregulação e à solução de problemas sejam ativadas, o que gera benefícios para toda a vida.

Este estímulo é importante, sobretudo, nos três primeiros anos de vida. Nessa fase, elas gostam de usar fantasias, brincar de serem outras pessoas/seus heróis. Os jogos de faz-de-conta, teatro de fantoches, atividades de simulação/imitação pode favorecer seu desenvolvimento. Uma ação simples, como dar um telefone de brinquedo, para ela simular ligações, também pode ajudar a gerar resultados positivos para a comunicação da criança.

Especialistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desenvolveram o programa The Boston Basics, iniciativa que tem como objetivo auxiliar os pais no estímulo da linguagem dos filhos até essa faixa etária e que estejam fora da escola, em especial, aqueles de menor renda.

O programa foi implantado em todas as instituições da cidade norte-americana de Boston, disseminando para os pais a ideia de interagirem com os seus filhos pequenos, aplicando reforços positivos nas ações do dia a dia.

Para manter esse estímulo é importante repetir atividades, utilizar jogos educativos, além de realizar ações que auxiliem no aprimoramento das habilidades que a criança não atingiu, mas que já seriam esperadas para a idade dela. Entre as opções recomendadas, está buscar brincadeiras em grupo para que uns possam auxiliar aos outros.

Jogos como de memória, completar sílabas e que incentivem a identificação de onde vem determinado som, por exemplo, são fundamentais nesta fase do aprendizado, por serem formas de estimular o sistema neurológico que está em desenvolvimento.

O Fonoaudiólogo é o profissional responsável pela avaliação e estimulação da linguagem e da fala da criança. Caso haja alguma dúvida se o desenvolvimento da criança está dentro do esperado, ou se alguma intervenção deve ser realizada, o fonoaudiólogo saberá como conduzir, auxiliando pais, cuidadores e professores nesse processo.

Quanto mais cedo for estimulada a compreensão e a expressão da linguagem, melhor será a comunicação e o aprendizado escolar da criança. Toda criança tem o direito de receber o melhor estímulo para se desenvolver de modo saudável e feliz!

Se restou alguma dúvida sobre o assunto, entre em contato conosco! Compartilhe sua experiência!

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