Como motivar o paciente e ter mais sucesso no tratamento fonoaudiológico

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De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), adesão ao tratamento é a medida com que o comportamento de uma pessoa corresponde às recomendações de um profissional de saúde. Na área de saúde, a adesão está intrinsecamente relacionada ao grau de seguimento dos pacientes à orientação médica/terapêutica.

A adesão ao tratamento fonoaudiológico é um processo multifatorial que se dá a partir de uma parceria entre quem trata e quem é tratado. Dessa forma, o vínculo entre fonoaudiólogo e paciente estrutura e fortifica o processo.

No artigo de hoje, falaremos a respeito da importância da adesão do paciente ao tratamento fonoaudiológico. Confira!

O papel do paciente no sucesso do tratamento fonoaudiológico

A motivação pode ser considerada uma força interior que nos impulsiona para uma ação a fim de conquistar um objetivo, e resulta da interação do indivíduo com a situação/contexto, ou seja, é algo interno e que se relaciona com o externo.

Brandão, em Ninguém motiva ninguém, ressalta a necessidade de se estabelecer uma relação entre motivação e o entendimento de como conseguir que os indivíduos se motivem. A questão-chave estaria em diminuir ou eliminar fatores que possam dificultar que a motivação se manifeste nos pacientes.

Assim, é muito importante que os profissionais e os pais reflitam a respeito da participação do paciente no tratamento fonoaudiológico, e busquem responder duas questões:

  1. O que eu posso fazer para que o paciente tenha vontade de aprender e se desenvolver?
  2. O que eu posso fazer de diferente do que tenho feito para motivar o paciente a aprender e se desenvolver?

Assim como os adultos, as crianças buscam atividades em que o bem-estar seja o sentimento prioritário. Em geral, é fácil nos mantermos motivados em atividades nas quais nosso desempenho é excelente, reconhecido ou que os ganhos são claros e rápidos.

O desafio é manter-se motivado para tarefas difíceis, pouco agradáveis para o indivíduo e com ganhos a longo prazo. Em alguns casos, a terapia fonoaudiológica acaba sendo apresentada à criança com estes últimos quesitos.

Além disso, vale lembrar que cada indivíduo (criança, adolescente ou adulto) apresenta uma escala de valores única, e o que é importante para um pode ser irrelevante para outro. Por exemplo, para algumas pessoas, tirar 7 em uma avaliação é excelente enquanto que, para outras, algo menor que 10 é inaceitável.

Se o paciente não sabe porque frequenta a terapia fonoaudiológica talvez seja mais desafiador engajá-lo nas atividades.

Em pacientes adultos percebemos que a motivação está presente na maioria das vezes, pois o próprio indivíduo buscou a terapia porque percebe que algo na sua vida pode ser melhorada, seja no trabalho ou na vida pessoal.

A diferença de critérios internos entre as pessoas também é observada com relação aos disparadores internos para motivação. Por isso, obter informações com os pais e com o próprio paciente a respeito do impacto da alteração fonoaudiológica na vida dele é tão importante, além de explicar ao paciente como cada exercício fonoaudiológico o ajudará a atingir a meta que é importante para ele.

Para ajudar o sucesso do tratamento fonoaudiológico é necessário, então, escolher as melhores ferramentas para cada paciente, aumentando a sua participação e o seu engajamento.

Como motivar a criança durante a terapia?

Vitória, em Conceitos e recomendações básicas para melhorar a adesão ao tratamento anti-retroviral, ressaltou a importância da adequação do tratamento ao estilo de vida do paciente a fim de melhorar as chances de adesão.

Lorenzini (2002) reforça a importância em se planejar atividades para o paciente criança com motivação, alegria, bom humor e afeto. Ele recomenda, ainda, que as metodologias a serem utilizadas no tratamento não devem ser rígidas, mecânicas ou impessoais.

Há também uma série de fatores externos que podem comprometer a participação do paciente criança durante a sessão de terapia, como a qualidade do sono, a fome e suas excitações.

Pode acontecer, por exemplo, de uma criança produzir muito mais resultados no tratamento fonoaudiológico se ela tiver acabado de comer algo de que goste.

Como cada criança é diferente é impossível prever um comportamento homogêneo para elas. Por isso, é preciso analisar o paciente para selecionar quais ferramentas serão utilizadas para cada tratamento em específico.

Para aumentar o nível de motivação do seu paciente criança no tratamento fonoaudiológico, seguem algumas dicas:

Observe seu tom de voz

A mudança no tom de voz adotado ajuda a direcionar o comportamento da criança. Se você está falando muito entusiasmadamente e isso não a motiva, procure baixar o tom. Já se você está falando muito calma e pausadamente, injete uma dose de energia em seu discurso.

Participe das atividades

Se a criança se recusa a participar de alguma atividade, continue a fazê-la você mesmo. Ao ver que você está se divertindo e ele não está fazendo parte, o paciente pode se sentir estimulado a aderir à atividade.

Adote um sistema de merecimento

As crianças sentem-se motivadas ao conquistarem algum objetivo. Então, adote estrelas, adesivos, carinhas felizes, etc e determine quais são os comportamentos necessários para a conquista de cada um dos prêmios. Estimule o paciente e celebre cada conquista.

Faça pausas

Permita alguns períodos de descanso para que o paciente relaxe e escolha alguma atividade para ser realizada. Deixe claro o tempo da pausa e que, passado esse momento, vocês retomarão o trabalho. Esse tempo pode ser apenas um minuto – mas fará a diferença no processo.

Adote estratégias lúdicas

Inclua desenhos, fantasias, massinhas de modelar, jogos, músicas, etc, para fortalecer o vínculo com a criança e facilitar a sua participação no tratamento fonoaudiológico.

Associar movimentação física, como atirar bolinhas em um balde ou acertar um alvo com dardos enquanto fala ou escuta algo, pode transformar a terapia em algo motivante e realmente produtivo.

Mostre seu planejamento para a Terapia

Alguns pacientes funcionam muito bem quando sabem o que irá acontecer na sessão. Em uma linguagem simples e com desenhos, mostre ao paciente o que ele fará na terapia, enumerando as atividades.

Ao finalizar uma atividade peça que faça um “ok” na folha de planejamento referente aquela atividade, assim ele perceberá que venceu essa etapa e se motivará a fazer o mesmo com as demais.

É importante que o seu planejamento seja realista e que o tempo gasto com cada atividade seja controlado. Você poderá, ainda, incluir um item que será de escolha do paciente.

Evidencie os avanços

Mesmo com crianças pequenas, é possível mostrar qual o avanço atingido na sessão do tratamento fonoaudiológico. Você pode fazer isso diretamente para a criança ou, ao final, comentar com os pais o que o paciente conseguiu realizar de positivo no encontro.

Se a criança for um pouco maior, você poderá, além de mostrar o avanço, contar sobre o desafio da próxima sessão, demonstrando que você confia que ela vencerá a próxima etapa. É importante que os desafios sejam progressivos e possíveis de serem atingidos na sessão.

Argumente com empatia

Se a criança não aceita realizar alguma atividade, converse com ela com empatia. O princípio básico da empatia é colocar-se no lugar do outro, com o pensamento, sentimento e vivência do outro. Sendo assim, você poderá pensar em quais argumentos fazem sentido para aquela criança. Olhar o mundo com os olhos daquela criança poderá transformar a sua comunicação. Observe que algumas dessas dicas podem ser usadas ou adaptadas com o paciente adolescente, adulto e idoso.

O que fazer entre uma sessão e outra

O trabalho conjunto entre o terapeuta e a família é fundamental e proporcionará melhores resultados ao tratamento fonoaudiológico, ampliando a fluência adquirida na terapia para o ambiente familiar.

Por isso, é importante que pais e fonoaudiólogo pensem em diferentes maneiras de motivar a realização de exercícios de fala, escuta e linguagem fora da terapia.

É interessante registrar as práticas aplicadas em uma sessão para que sejam realizadas posteriormente em casa. A família é essencial durante todo o processo, viabilizando e abreviando o tempo de tratamento.

A família deve representar um elo de segurança, trazendo envolvimento afetivo e apoio à criança, e auxiliando o profissional a determinar o que motiva e o que é maçante para o paciente para que juntos possam adaptar o tratamento fonoaudiológico sempre em busca das melhores práticas.

Quanto mais flexibilidade o profissional tiver em suas ações, maiores serão as suas chances de sucesso com o paciente. O foco do trabalho sempre será seu objetivo terapêutico, ou seja, as habilidades que o paciente precisa desenvolver, mas as estratégias utilizadas podem ser encantadas com diversão e criatividade.

Assim, o paciente é constantemente estimulado a aderir ao tratamento fonoaudiológico, tornando-o mais prazeroso.

Se o profissional se lembrar de que cada indivíduo possui olhar único para o mundo, poderá buscar estratégias atrativas e motivadoras específicas para cada paciente, aumentando as chances de engajamento e maximizando as potencialidades do tratamento.

E então, como você estimula a adesão do paciente ao tratamento fonoaudiológico em seu consultório? Tem alguma dica de como motivar fora da terapia? Deixe sua mensagem nos comentários.

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